Isiara Caruso - escritora - contos, minicontos, poesia, poetrix - Buenos Aires, Porto Alegre

Crônicas

A difícil arte de estabelecer limites



Haveria mudado o mundo ou mudei eu?
Questiono-me sempre sobre o mundo em que estamos vivendo nos dias de hoje, pois acreditava lá na minha infância que o amanhã sempre seria melhor em progresso e convivência. Surpresa, pois na minha visão, apesar das conquistas nas áreas das ciências, estamos tendo grandes perdas na área humanística. Poderia arriscar dizer que nos desumanizamos.
O mundo globalizado na exigência cada vez maior de consumo tem nos levado por caminhos onde o outro é um inimigo a ser combatido, é cada vez mais forte aquele provérbio português: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Nossa sociedade mudou em consequência de vários fatores que foram exigindo a saída dos cônjuges ao mercado de trabalho na busca de melhores salários e melhor situação social para a família, até mesmo seu sustento. Estas mudanças na formação das famílias são sentidas quando ela não é capaz de marcar bem os limites a serem seguidos tanto pelos próprios pais como pelos filhos. O limite em educação é como a rede do trapezista, como a faixa de pedestre, o cinto de segurança do carro, se o temos e não o usamos porque ninguém usa, ou porque é antiquado ou não se estila. Então corremos riscos.
Colocar limites é educar, é educar-se. Pais que se dopam para poder viver, pouco podem fazer no sentido de dizer a seu filho que não use droga. O que fuma não vai ensinar nada ao dizer a os seus filhos que fumar faz mal à saúde, se ele mesmo manda este filho buscar cigarro no bar da esquina. Colocar regras nas crianças não é fácil, demanda tempo e parte de tudo isto é exemplo.
Quanto à questão da liberação das drogas, da maconha pontualmente, requer uma sociedade muito bem estruturada, um país com limites bem demarcados (leis cumpridas) para todos, onde a corrupção não compre seus mandatários. Esta é a maior chaga dos nossos estados e não digo somente aqui na América do Sul, a debilidade que permite que os traficantes se instalem e prosperem é que nossos mandatários têm preço e a partir daí se perde de vista todos os outros horizontes a serem alcançados, tais como educação do povo e sua saúde.
Então entramos na roda viciosa de onde é difícil sair. Liberar drogas vem da necessidade criada pelos traficantes que corrompem nossos filhos, quem deveria controlar esta liberação seria o governo. E se este governante já liberou a entrada da droga, porque recebeu benefícios do traficante onde fica o respaldo desta lei?
Aí volto à família. Cada um de nós que possui uma família, deve saber que educar filhos não é fácil, mas olhar para outro lado só para evitar dizer alguns “nãos” e ensinar-lhes que o mundo e sua casa são feitos de regras ou não funcionam bem, é abrir a porta para caos.

IsiCaruso



Isiara Caruso
03/01/2017