Isiara Caruso - escritora - contos, minicontos, poesia, poetrix - Buenos Aires, Porto Alegre

Crônicas

PÁTRIA/ NAÇÃO - IGUALDADE / LIBERDADE

Terminei a semana embalada pela festa das olimpíadas, onde a alegria e a harmonia de todos que participaram deste evento contagiava e amanheci com a estrofe de nosso Hino Nacional, retumbando em minha mente:

“Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!”

e fui aos dicionários buscar o sentido de pátria e nação:

Terra onde alguém nasce.

Nação a que pertence uma pessoa ou de que uma pessoa é cidadã.

Conjunto de indivíduos habituados aos mesmos usos, costumes e idioma.

Lugar a que pertence algo ou alguém; lugar de onde algo ou alguém provém.

Desperto cada manhã e busco notícias do meu Brasil, minha pátria, nação da qual faço parte e amo, acompanhando o dia a dia das ruas, das páginas dos jornais, das notícias da TV e aí não estão nos significados que encontrei. O que vejo são pessoas convivendo de forma feroz em defesa não desta nação, mas sim de suas crenças individuais, de seus preconceitos, de suas verdades não absolutas, pelas quais, muitas vezes são capazes de matar. E aí nasce uma série de perguntas:

- Porque vivemos todos aqui neste território tão lindo e não conseguimos crescer e construir esta nação com princípios de igualdade que tanto defendemos, quando exigimos democracia e direitos iguais?

– Porque em nossas verdades somos mais importantes que a do nosso vizinho, será porque tem a cor da pele diferente da nossa ou possuo mais recursos econômicos ou nasci de uma pessoa mais “importante socialmente” que outras?

Lutamos por direitos iguais, mas os nossos são sempre mais importante do que os dos outros, falamos de deveres, mas aí os nossos são menores do os demais.

Será que já nos demos conta de que sempre nos achamos no direito de sermos os primeiros: a embarcar no ônibus, a sair dele, a ser socorrido em uma emergência, a sentar no banco vazio, a comer um bocado, etc.?

Por que desejamos que as leis sejam cumpridas e somos os primeiros a corrompê-las? Por que condenamos a corrupção e somos corruptos quando agimos de forma desonesta para tirar vantagem de algo ou situação ou quando nos deixamos subornar ou subornamos? Coisas simples como: passar no sinal vermelho; estacionar em lugar de pedestres; simular deficiência pra usar vaga de estacionamento; furar fila.

Vejo movimentos e confrontos sociais que vêm ocorrendo em nossa Pátria, onde pessoas, que se creiam neste lugar de “ser mais” que o outro, quem sabe: mais necessitadas, mais cultas, mais ricas, mais pobres, mais importantes entre as castas sociais, se agridem fisicamente, dizem palavras grosseiras, de baixo calão, destroem o patrimônio publico que é de todos e tudo isto em nome de uma nação que é de todos ou de uma democracia que é para todos. E aí novamente surgem questionamentos e a dúvida maior: – Será que nós, seres humanos, neste caso, brasileiros, entendemos que o “todo”, o Brasil, é de todos e que daqui, vida, nada levamos a não ser nossos preconceitos, nossa arrogância, nosso egoísmo? O demais pelo qual nos destruímos: dinheiro, bem materiais e status, direitos, desaparecem nos ventos do primeiro tornado ou nas ondas de um tsunami ou nas fendas de um terremoto?

Gostaria imensamente de um dia poder ver aqueles que possuem em suas mãos o poder político, independente de partido político, possam entender que seu trabalho é pelo crescimento de uma nação, de um povo e não pelo maior quinhão dos atos corruptos e de subornos. E que o povo compreendesse que alguns dos ditados que costumamos usar como conduta: “Farinha pouca meu pirão primeiro”; “Cada um por si e Deus por todos” e a famosa lei do Gerson dos anos 70: “Levar vantagem em tudo”, não constroem uma nação.

Que o verde-louro desta flâmula nos diga: “Paz no futuro”, porque as glórias do passado se perderam nos desmandos de hoje.

Isiara Caruso

Isiara Caruso
26/06/2017