Isiara Caruso - escritora - contos, minicontos, poesia, poetrix - Buenos Aires, Porto Alegre

Crônicas

Culpa e mágoa

Falando da vida, nossas atitudes e consequências, terminamos conversando sobre os estragos que a culpa e a mágoa fazem nas pessoas e em suas vidas, pois elas costumam fazer morada no mais recôndito de nossa alma.

No caso da culpa, nem mesmo as mais variadas orações conseguem limpar-nos a consciência, pois ela costuma ficar escondidinha e reaparece, assim como se nada, em qualquer situação. Costumam nos perseguir nos sonhos ou até mesmo em algum momento de solidão. Bate na porta e ao abrir lá está ela. Ela faz parte de nossas atitudes e atos pela vida, resultado daquela famosa lei de Newton, na Física: “A toda ação sempre há uma reação de mesma intensidade e direção, porém de sentido oposto”. Então, sanar uma culpa que nos habita, requer uma atitude nossa de correção de algo desestabilizado.

Já a mágoa nasce daquele sentimento que temos em relação aos outros, por vezes qualquer atitude, até mesmo aquelas de nossos pais; uma palavra no meio de uma conversa, ou um simples ato quando éramos crianças, nos transforma na vítima injustiçada e daí passamos a "arrastar correntes" (figura antiga para designar sofrimento).

Duas situações que irão necessitar da força do perdão e é muito difícil perdoar. Fácil dizer: Te perdoo. Me perdoo. Não estamos acostumados, pois nosso orgulho próprio não permite.
Para limpar nossas mágoas, quando nos sentimos vítimas dos outros, seja quem for este outro, requer de nós um certo amadurecimento e vontade de apagá-las de nossa vida. Teremos que aprender a tomar distância do fato que a gerou e contemplá-lo o fato no qual estávamos envolvidos, sofrendo a ação que nos vitimou e buscar entender as circunstâncias nas quais o outro estava envolvido, naquele momento. Buscar as razões que ocasionaram o fato e, o mais difícil, calçar o sapato do outro ou seja, colocarmo-nos no lugar daquele que fez nascer em nós, a vítima, que instaurou em nós a mágoa; o medo; a angústia. E perdoa-lo.

Penso que o mais difícil é perdoar-nos, tão difícil como perdoar a nossos pais ou irmãos, pois é muito sofrido para nós o ato humilde de nos sentirmos como eles enquanto nos educavam. Na maioria das vezes os pensávamos injustos, daí o que fizemos desde sempre é carregar, em nossos ombros, todas estas mágoas e culpas que a vida vem nos oferecendo e com o passar dos anos nos desfiguramos, e angustiados fazemos da ansiedade e do medo nossos eternos companheiros. Estes, o medo e a ansiedade, são os maiores devoradores de energia e da nossa sanidade, são construtores de erros, pois perdemos o discernimento quando vivemos sob seus domínios, nos tornamos surdos e cegos, nossa vida se transforma num encadeamento de equívocos, pois nos falta paz.

Momento ótimo para parar tudo, olharmo-nos no espelho de nossa alma e vislumbrar que neste momento estamos andando em círculo carregando uma mochila cheia de pedras (mágoas e culpas). Não haverá melhor remédio que fazer uma pausa, admirar a vida com um olhar consciente. No caso da culpa, tratar de entender seu próprio erro e através de uma proposta de correção do mesmo (ação e reação) saná-la, assim poder perdoar-se. Não somos culpados, somos responsáveis de suas consequências, não serve querer perdoar-se sem estabilizar o desajuste que provocamos.

Perdoe-se reparando seu erro.
Compreenda e perdoe quem o magoou.
Liberte sua alma, torne-se livre para viver seu presente e ser autor de seu futuro.
Desfaça-se das mochilas cheias de mágoas, rancor e culpas.
Caminhe livre, voe como uma borboleta que rompe a crisálida.
Seja feliz, sua felicidade está dentro de seu coração.

Isiara Caruso

08/09/ 2017

Isiara Caruso
10/09/2017